Desde 2022, o músico e realizador Bruno de Almeida tem vindo a editar vários volumes da série Cinema Imaginado, chegando agora a público o quarto tomo desta coletânea de cenas pictóricas traduzidas em som. Na mesma linha dos trabalhos anteriores, Almeida recorre neste disco a um vocabulário maioritariamente jazzístico, cruzado com elementos de funk e soul, bem como com referências à música clássica, esta última particularmente evidente nas peças para piano.

Novamente à semelhança dos volumes anteriores, o disco conta com um elenco de músicos de excelência, cuja diversidade instrumental contribui decisivamente para a riqueza tímbrica e expressiva destas composições. Assim, a Bruno de Almeida (teclados), juntam-se Graham Haynes (cornetim, electrónica), Ricardo Toscano (saxofone alto), Mário Franco (baixo eléctrico, contrabaixo), Gonçalo Bicudo (baixo eléctrico), Óscar Graça (piano, teclados), Luís Figueiredo (piano), Mário Delgado (guitarra eléctrica), Eduardo Cardinho (vibrafone), Miquel Bernat (marimba), José Salgueiro e André Sousa Machado (bateria), Iúri Oliveira (percussão), Ana Pereira, Ana Filipa Serrão e João Pereira (violinos), Joana Cipriano (viola), Ana Cláudia Serrão e Nuno Abreu (violoncelos).

Seguindo a forte tradição de etiquetas históricas como a De Wolfe e a KPM Music — que durante décadas se dedicaram à edição de library music para cinema —, as cenas episódicas que Bruno de Almeida apresenta nestes volumes poderiam perfeitamente ser utilizadas na sétima arte, embora possuam, indubitavelmente, vida própria. Trata-se, além disso, de peças profundamente ecléticas, que apresentam uma amplitude estética tão variada quanto sugestiva.

A este respeito, escutem-se, por exemplo, a curta e frenética “Lunch Break”, que materializa o realismo urbano dos almoços contemporâneos; “Lisbon Leitmotif”, que nos conduz a uma deambulação circular pela capital portuguesa; ou “Bad Lieutenant”, que poderia facilmente integrar um trágico-cómico western pós-moderno. Há ainda, neste trabalho, temas como “Algorhythmic” e “Smurfing”, sobretudo marcados por uma abordagem mais rítmica e fusionista, que evidencia a versatilidade composicional e imagética de Almeida.

Em suma, Cinema Imaginado (Volume 4) confirma a consistência de uma série que esperamos venha ainda a conhecer novos capítulos.