Elephant9 – Arrival of the New Elders

Ståle Storløkken (Rhodes, Hammong, grand piano, Eminent 310, Mellotron, Continuum), Nikolai Hængsle (baixo eléctrico e guitarras) e Torstein Lofthus (bateria e percussão), trio noruguês que forma os Elephant9, continuam a fazer brilhar constelações de tonalidades espaciais mesmo depois de passados praticamente 15 anos do lançamento do seu marcante álbum de estreia Dodovoodo (2008). A discografia do trio, essa, foi integralmente feita de braço dado com a editora norueguesa Rune Grammofon, parceria que é mantida em Arrival of the New Elders, o mais recente trabalho do grupo de jazz-rock.

Tendo-se distinguido pelos raios cósmicos altamente enérgicos expelidos pelas suas anteriores obras – abundantemente aromatizadas com uma mescla de rock psicadélico e power jazz de contornos groovy -, estes novos anciãos – como ironicamente se auto-denominam neste trabalho – reaparecem agora mais contemplativos e reflexivos, apontando mira a um conjunto de temas relativamente curtos quando comparados a outras instâncias e baseados numa abordagem mais estruturada, pouco dada às jams e improvisações de outros tempos. Se dita mudança de direcção – que foi suave, note-se – poderá levar a assumir uma inversão de sentido estético, é importante esclarecer que isso não corresponde directamente à realidade, mantendo-se quer a génese da música, quer a qualidade da mesma, não deixando este registo, deste modo, nada a dever aos seus predecessores, inclusive superando-os em termos de narrativa. Sejam, portanto, bem-vindos ao foguetão Elephant9; instalem-se confortavelmente e apertem os cintos – o que se segue navegará por dimensões inter-galácticas.

A madura roupagem meditativa com que os noruegueses se revestem neste novo álbum prontamente se assoma aparente no tema homónimo de abertura: o trio avança a trote, preocupado com a habituação e imersão do ouvinte ao seu universo sideral, sendo esta adaptação guiada, acima de tudo, pelas teclas de Storløkken, exímio pintor de órbitas não-lineares. “Rite of Accession” propela a viagem a seguir trajectórias dinâmicas e vigorosas, coroadas com épicos solos das teclas e das cordas, ambos imbuídos em efeitos acídicos que tão bem assentam a estes ambientes. Depois desta efusiva ascensão, “Sojourn” e “Tales of Secret” moderam a turbulência, restabelecendo a velocidade de cruzeiro e permitindo, assim, que os navegantes apreciem as vistas estelares. Noutras paragens, “Chasing the Hidden” estabelece pontes com as rígidas e engenhosas métricas ouvidas habitualmente em bandas de math-rock, “Chemical Boogie” retoma ao caos e explosividade num tema muito baseado no Rhodes – um dos motores fundamentais do trio -, e, por fim, o álbum termina com “Solar Song”, uma plena e pacífica aterragem.

Arrival of the New Elders é música para ouvidos de cosmonautas à procura de novas paragens sónicas. Jazz-rock psicadélico e espacial em toda a sua glória.

João Morado